Doenças e insegurança afetam refugiados no Quênia e na Etiópia

A insegurança continua a ser um entrave ao trabalho dos agentes humanitários nos acampamentos de refugiados no Quênia, um mês depois do rapto de três trabalhadores do campo de Dadaab no país.

    Uma situação que preocupa o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, pela agravante da epidemia de cólera nesses campos.

Ajuda Humanitária

   No terreno, o Acnur acompanha o trabalho de cerca de 100 polícias quenianos suplentes que chegaram aos campos no mês passado. A agência disponibilizou aos agentes veículos, abrigos e equipamentos de comunicação.

    Em declarações durante uma conferência de imprensa, o porta-voz do Acnur, Andrej Mahecic, disse que a ajuda também é dirigida aos refugiados, com “alimentos, água e cuidados de saúde”.

    O panorama é agravado pelas chuvas intensas e pelo risco de doenças transmissíveis através da água, como a cólera, por exemplo.

Parceiros

    Até ao momento, o Acnur contabiliza 60 casos de epidemia de cólera nos campos. Uma situação que levou a agência a criar em conjunto com os parceiros no terreno centros de tratamento contra a doença.

    Para o efeito foi aumentada a “aplicação de doses de cloro o produto que mata a bactéria causadora de cólera, para tratar os pontos de distribuição de água nos campos”, segundo Mahecic.

    O porta-voz do Acnur acrescenta ainda que “o estímulo das práticas de higiene os refugiados” faz também parte das medidas de prevenção de doenças.

Desnutrição

    Já na Etiópia, um estudo sobre a nutrição dos campos de Kobe e Hilaweyn apontou uma taxa elevada de desnutrição entre as crianças de idade inferior a cinco anos.

    Os dois campos abrigam refugiados somalis, muitos deles apresentam um estado de saúde grave.

Fonte MCM povos

Bebê somali que comoveu o mundo com desnutrição aguda consegue recuperar peso

O bebê Minhaj Gedi Farah se tornou símbolo da fome que devasta a Somália, quando há três meses uma foto sua chocou o mundo.

    Com graves problemas de desnutrição, nem seus pais acreditavam que aquele esquelético Minhaj poderia sobreviver e se transformar numa criança que hoje, com 8 quilos, pode até ser chamada de gordinha.

    O quase inevitável destino de Minhaj foi transformado graças a ajuda do grupo International Rescue Commitee.

    A fome já matou dezenas de milhares de pessoas na Somália, mas a ONU garante que, apesar das restrições do movimento de insurgência islâmica al-Shabbab, está aumentando o alcance de suas agências no país.

     – Nem a mãe dele (de Minhaj) imaginava que ele poderia se recuperar. Cada membro da família está feliz – disse Sirat Amin, uma das enfermeiras que ajudaram a monitorar o tratamento de Minhaj. – Agora, ele pode sentar sozinho, está engatinhando.

     Em julho, a ONU decretou fome em cinco zonas da Somália.

    Minhaj era um dos bebês internados em estado grave no campo de Dadaab, no Quênia, para onde muitos somalis fogem da crise humanitária e da violência. Com 7 meses, Minhaj pesava apenas 3.2 quilos, menos que muitos recém-nascidos.

    Três meses depois, a balança marca 8 quilos, peso normal para os bebês da sua idade.

     Superlotados, os acampamentos de Dabaab enfrentam graves problemas.

    Apesar de o número de somalis chegando todos os dias no Quênia ter diminuído, a situação continua grave. Quase dois milhões de somalis ainda não têm acesso à comida.

    A briga entre o Quênia, que resolveu invadir a Somália recentemente, e o al-Shabaab também dificultou a fuga para o país vizinho. Muitos temem ser confundidos com insurgentes.

     A ONU especula que cerca de 160 mil crianças com menos de 5 anos sofrendo de desnutrição aguda podem morrer nas próximas semanas.

    A organização também vem alertando para o risco de proliferação da cólera e da malária, principalmente na capital somali de Mogadíscio.

     – Estou ajudando as pessoas aqui, mas às vezes é de cortar o coração. Pessoas estão sofrendo. Às vezes, eles morrem na sua frente. E, por mais que você queria ajudar, eles são tantos (que você não consegue) – disse Amin, que trabalha no campo de refugiados no Quênia.

    Assim como a história desta crianca foi transformada, a Oferta de Resgate visa levar esperanca aos povos da terra.

    Podemos mudar uma vida ou até mesmo uma nacao inteira, a escolha é simplesmente nossa.

    Não deixe essa oportunidade passar, faça parte desta grande conquista.

Fonte MCM povos

ONU suspende ajuda a refugiados após sequestro de médicas no Quênia

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, informou que suspendeu parte de suas operações humanitárias no maior acampamento de refugiados do mundo, o campo de Dadaab, no Quênia.

    A medida ocorreu após o sequestro de duas médicas, por homens armados, nesta quinta-feira. Segundo o Acnur, 200 funcionários estão mantendo os serviços básicos, como entrega de água no local, mas com ajuda policial.

Motorista

    As duas vítimas que trabalham para a organização Médicos Sem Fronteiras estavam dentro do acampamento de Dadaab distribuindo ajuda.

     O carro que as transportava foi alvejado por homens armados. O motorista ficou ferido no incidente.

    De acordo com a mídia local, o ataque teria sido praticado por membros da milícia somali, al-Shabaab. Cerca de 300 funcionários humanitários trabalham em Dadaab; 200 servem agências da ONU.

    O chefe do Acnur, António Guterres expressou “choque e indignação” com o sequestro e pediu o retorno imediato das vítimas.

    Dadaab acolhe mais de 460 mil refugiados. Este ano, a população aumentou como resultado da chegada de mais de 190 mil pessoas da Somália e após a violência ter piorado no país vizinho.

Fonte: MCM Povos